A sustentabilidade corporativa na linha de fogo.

March 21, 2019

Recentemente tive contato com um artigo interessante chamado "Fake Leadership is dangerous when it comes to Corporate Sustainability, Plastic Pollution and Climate Change.". Segue aqui o link para quem tiver interesse.

 

Esse artigo realmente me chamou atenção e acho que é uma discussão muito importante que precisamos fazer, como sociedade, especialmente como profissionais da área de sustentabilidade corporativa. A pergunta que ficou na minha cabeça aqui foi, será que que realmente estamos avançando na agenda da sustentabilidade, ou estamos apenas em um faz de contas? Seria a sustentabilidade apenas mais uma moda no mundo corporativo?

 

Não tenho respostas prontas, e nem tenho condições de responder com muita certeza e talvez seja por isso que esse texto me chamou tanta atenção. De fato a agenda da sustentabilidade nunca esteve tanta em voga no mundo, como nos dias atuais, mesmo que em contexto nacional a situação seja um pouco diferente, de fato estamos com uma agenda mais fortalecida no que passado.

 

É fato que existe um número cada vez maior de empresas que criam setores, desdobram metas e começam a desenvolver projetos e programas de sustentabilidade. Também é fato que essa agenda tem cada vez mais chegado a mesa da liderança, seja como estratégia, seja como análise de risco ou até mesmo em marketing.

 

No entanto, também é fato que tivemos dois grandes rompimentos de barragem nos últimos 5 anos, e inúmeras outras ocorrências similares de poluição e danos ambientais, como vazamentos de minerodutos, lançamentos irregulares de efluentes industriais, passivos ambientais decorrentes de abandono de instalações, ocorrências de trabalho análogo a escravidão em confecções e fazendas e uma série de outras situações as quais são um indigesto contraponto com o desenvolvimento da agenda da sustentabilidade.

 

O Brasil é o país dos paradoxos

 

Essa frase eu escutei da minha professora de geografia, quando estava de intercâmbio na Rússia. Como todo brasileiro, quando escuta alguém falando do Brasil, eu fiquei de inicio indignado, porém com o tempo fui entendendo que de fato somos o país dos paradoxos, e esse contexto exemplifica exatamente isso.

 

Em termos de sustentabilidade corporativa, nós temos verdadeiros abismos entre as agendas de sustentabilidade. Enquanto algumas partem para a análise de ciclo de vida de seus produtos, inventário de emissões, ecoeficiência e diversos outros temas até então espinhosos para a indústria nacional, outras sequer discutem as agendas regulatórias, como foram os casos citados anteriormente.

 

E daí vem a pergunta de 1 milhão de dólares, será que a gente não tem abrandado muito a exigência da sustentabilidade, em decorrência desse abismo entre as duas realidades? Será que não poderíamos estar mais criteriosos com os indicadores e práticas de sustentabilidade corporativa?

 

A liderança falsa apontada pelo autor, também corrobora esse processo, pois permite que o greenwashing tome conta da pauta, deixando-a esvaziada e completamente superficial. O autor tem razão quando diz que a sustentabilidade corporativa não está respondendo de acordo com os desafios atuais. Afinal de contas os desvios, problemas, acidentes, erros e malfeitos continuam ocorrendo, os obstáculos não estão sendo transpostos e a conta climática está ficando cada vez maior.

 

Onde será que estamos errando? Será que precisamos fazer um recall da atuação da sustentabilidade corporativa?

 

Como eu disse, tenho mais dúvidas do que respostas hoje.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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